CPPEM NEWS
Pernambuco tem uma das menores taxas de PMs do país
05/08/2026
A segurança pública em Pernambuco enfrenta um desafio histórico: a defasagem no efetivo policial. Segundo o estudo Raio-X das Forças de S...


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A segurança pública em Pernambuco enfrenta um desafio histórico: a defasagem no efetivo policial. Segundo o estudo Raio-X das Forças de S...

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A segurança pública em Pernambuco enfrenta um desafio histórico: a defasagem no efetivo policial. Segundo o estudo Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado ocupa a terceira posição entre as unidades federativas com a menor proporção de policiais militares para cada mil habitantes, com taxa de 1,6 PMs por mil pessoas. O número está abaixo da média nacional, que é de 1,9, e fica ainda mais distante de estados como o Amapá, que lidera o ranking com 4,4 PMs por mil habitantes.
A análise utiliza dados de 2025 e revela que Pernambuco possui um efetivo de 15.738 policiais militares, enquanto o ideal, segundo o estudo, seria de 27.953. Isso representa apenas 56,3% do contingente necessário. Além da PM, as defasagens também atingem as polícias Civil e Penal, evidenciando um cenário que exige ações estruturais e contínuas por parte do poder público.
## O cenário nacional das forças de segurança
O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública compara as 27 unidades federativas e mostra que a realidade pernambucana não é isolada, mas faz parte de um contexto de desigualdade regional. Santa Catarina, com 1,2 PMs por mil habitantes, e o Paraná, com 1,4, aparecem à frente de Pernambuco na lista dos menores efetivos. Na outra ponta, além do Amapá, o Distrito Federal (3,6) e Roraima (3,4) apresentam os melhores índices.
Quando se trata da Polícia Civil, Pernambuco também se destaca pela defasagem. O estado ocupa a 11ª posição no ranking de menores efetivos, com 0,5 policial civil para cada mil habitantes, mesmo índice de estados como Ceará, Goiás, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Em relação à proporção entre efetivo existente e previsto, o estado é o quinto com maior déficit: há 4.326 agentes, quando o ideal seria 10 mil, ou seja, apenas 43,3% do contingente necessário.
## Polícia Penal: outro gargalo estrutural
A situação se repete no sistema prisional. Pernambuco tem 2.019 policiais penais, mas o estudo estima que seriam necessários 4 mil para uma atuação adequada. Isso coloca o estado com apenas 50,5% do efetivo previsto, o sexto pior índice do país. Os estados com maior defasagem são Goiás (46,9%), Rio Grande do Sul (41,8%), Piauí (39,2%), Rondônia (35,8%) e Paraná (26,2%).
A falta de agentes penitenciários impacta diretamente a segurança dentro e fora das unidades prisionais, sobrecarregando os profissionais existentes e dificultando a implementação de políticas de ressocialização. O déficit histórico exige reposição imediata, mas também planejamento de longo prazo para que o efetivo acompanhe o crescimento da população carcerária.
## Medidas recentes do governo estadual
Em abril deste ano, o Governo de Pernambuco formou 2.157 novos policiais militares. Na ocasião, a governadora Raquel Lyra reconheceu que o efetivo atual ainda é insuficiente para atender à demanda do estado. No início de julho, o governo autorizou um novo concurso público com 5.337 vagas, das quais 1.320 para a Polícia Militar (1.250 soldados e 70 oficiais) e 1.315 para a Polícia Civil (1.200 agentes, 70 escrivães e 45 delegados).
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De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), a recomposição do efetivo é prioridade. A pasta informou que, até o momento, 6.565 novos profissionais já foram formados e colocados em atuação nas polícias Militar, Civil, Científica e no Corpo de Bombeiros. A expectativa é ultrapassar 6,7 mil novos integrantes até o fim de 2026, com novas etapas de seleção e formação em andamento.
## Rumo à recomposição do efetivo
Embora os concursos e nomeações recentes representem avanços, a defasagem estrutural ainda é grande. Pernambuco precisa não apenas repor as perdas naturais, mas também ampliar significativamente o contingente para atingir os patamares mínimos recomendados por especialistas. A realização de novos certames, aliada à valorização profissional e à melhoria das condições de trabalho, são passos fundamentais para reduzir os índices de violência e garantir mais segurança à população.
A segurança pública é um direito constitucional e um dever do Estado. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública servem como um alerta para que as políticas públicas de reposição de efetivo sejam contínuas, planejadas e baseadas em evidências. A sociedade pernambucana espera que, em um futuro próximo, os números de efetivo policial estejam mais próximos do ideal, refletindo um compromisso real com a proteção dos cidadãos.
O caminho é longo, mas os primeiros passos já foram dados. A continuidade dos investimentos em recursos humanos e infraestrutura será determinante para transformar a realidade da segurança pública em Pernambuco, garantindo que o estado deixe de figurar entre os piores índices de efetivo policial do país.